As declarações
do presidente do CGEE, Mariano Laplane, beira o abismo das incertezas que
parecem não sair das pautas dos debates sobre as mudanças climáticas e seus possíveis
impactos. O possível
impacto das mudanças climáticas, de origem antrópica, já foi debate em 1992, em
um evento que já tinha como fundamento estudos e pesquisas que apontavam resultados preocupantes indicando transformações irreversíveis no meio ambiente, e mesmo assim o que foi ocorrendo ao
longo do tempo, não condiz com toda as ressalvas e alertas feitos em 1992.
As ações antrópicas
tornaram-se ao longo dos anos um temido obstáculo na preservação dos recursos naturais do
planeta, esse obstáculo vem sendo fortalecido cada vez mais devido ao crescimento do consumo e do manejo dos recursos naturais. Passado duas décadas o cenário atual remete-se a falta de
comprometimento político com os resultados e com as ações que podem ajudar no desaceleramento
das mudanças climáticas. Isto é, a falta de iniciativas políticas em torno de
investimentos de novas tecnologias e o comprometimento com os resultados dos inúmeros
relatórios publicados sobre as mudanças climáticas, como o Climate Change 2001
e 2007 e seus diversos relatórios. Não se pode virar as costas aos
investimentos existentes em torno de novas tecnologias que buscam a melhor
forma de utilizar e reutilizar os recursos naturais do planeta, assim como o aumento das iniciativas adotadas pela sociedade e por empresas. Mas fechar os olhos para os resultados preocupantes, assim como para os alertas que a cada ano são apresentados em grandes relatórios é sem dúvida estar negando o comprometimento real em agir para garantir o futuro dos recursos naturais do planeta. É fato de que em algum momento estagnou-se um desenvolvimento sustentável incapaz de acompanhar a evolução antrópica e a evolução industrial alimentada pela cultura de consumo.
Diante de
discursos que indagam ainda o tempo para implantação ou maiores certezas sobre as mudanças climáticas e seus possíveis impactos, o que
nos resta é a esperança de que a Rio+20 não nos sirva apenas como indicador do
tempo que teremos para assistir os recursos naturais do planeta se esgotar.
..Érica Beltrame
"O que vemos é um confronto de visões bastante peculiar.
De um lado temos os pessimistas, que acham que a Conferência não trará
resultados efetivos. De outro, temos os muito otimistas, que esperam um grande
avanço. Porém, sabemos que mudanças estruturais precisam de muito tempo para ser
encontradas e implementadas".
(Rio+20 - Presidente do CGEE, Mariano Laplane)
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